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Brasília, 15 de junho de 2026
O custo da aguardada reforma do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério da Soberania Nacional, voltou a subir e já preocupa integrantes do governo federal. Segundo informações apuradas pela EBN, o orçamento da obra sofreu um reajuste superior a 40% e pode, em breve, ultrapassar a marca de 3 milhões de dólares, tornando-se uma das reformas estruturais mais caras já realizadas em um dos palácios da República.
Considerado um dos edifícios mais simbólicos da administração pública brasileira, o Palácio do Itamaraty também carrega o peso da história. Construído em 2023, apenas um ano após a fundação da República, o edifício foi iniciado durante o governo de Cauã Rodrigues e, desde então, consolidou-se como uma estrutura de enorme relevância institucional. Ao longo dos anos, no entanto, o palácio passou a acumular problemas graves de preservação, planejamento interno e padronização arquitetônica.
Atualmente, o estado interno do prédio é descrito por fontes do governo como um verdadeiro reflexo de décadas de intervenções mal planejadas. O contraste entre o antigo e o moderno, que poderia representar sofisticação arquitetônica, hoje se traduz em desorganização. Móveis antigos, muitos deles obsoletos, encontram-se espalhados por salas aleatórias. Diversos espaços seguem completamente vazios, sem qualquer função definida, enquanto outros foram descaracterizados por reformas realizadas em administrações passadas.
Entre os casos mais emblemáticos está uma sala modificada durante a gestão de Guilherme Martinelli no ministério. O espaço foi transformado em uma espécie de ambiente medieval, com paredes simulando pedras de castelo, lustres dourados e decoração incompatível com o projeto original do palácio. A mudança é frequentemente citada por técnicos e arquitetos como um dos exemplos mais extremos de descaracterização do Itamaraty.
O episódio foi tão marcante que ajudou a motivar, em 2024, a criação de um código federal voltado à proteção dos principais palácios da República. A norma passou a proibir alterações estruturais ou estéticas sem autorização formal do governo central, protegendo edifícios como o Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada, o próprio Palácio do Itamaraty e outras sedes institucionais estratégicas.
Apesar da proteção legal, recuperar o Itamaraty tem sido uma tarefa mais complexa do que o inicialmente previsto.
O cronograma das obras, que já enfrentava atrasos, foi ainda mais impactado após a introdução de novas ferramentas de construção avançada. Embora mais modernas, essas ferramentas elevaram o grau de complexidade das intervenções, tornando a reforma mais lenta, técnica e custosa. Equipes envolvidas no projeto relatam que várias etapas precisaram ser refeitas para atender aos novos padrões de execução.
Externamente, o cenário ainda transmite abandono. As obras na fachada avançam em ritmo lento. Dos mais de 30 pilares que precisam ser substituídos ou reposicionados, apenas um foi completamente trocado até agora. A lentidão no progresso se tornou um dos principais alvos de críticas internas.
No interior, o avanço também é limitado. Até o momento, somente duas salas foram integralmente reformadas. Uma escadaria central foi instalada, sendo considerada uma das poucas grandes entregas visíveis da obra. Além disso, uma garagem subterrânea foi construída para ampliar a infraestrutura logística e de segurança do palácio.
Fora essas mudanças, pouco mais foi concluído.
O próprio presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, já demonstrou publicamente sua insatisfação com o edifício. Em declarações anteriores, Bolsonaro afirmou que o Palácio do Itamaraty é o palácio de que menos gosta entre os edifícios da República, citando tanto problemas estéticos quanto estruturais.
A crítica presidencial reflete uma percepção compartilhada por parte do governo: o palácio, em seu estado atual, não representa adequadamente a importância estratégica do Ministério da Soberania Nacional.
Especialistas avaliam que o maior desafio da reforma não está apenas em modernizar o edifício, mas em restaurar sua identidade. O Itamaraty precisa equilibrar tradição, funcionalidade e representatividade institucional sem repetir os erros do passado.
Enquanto isso, a cada nova etapa, o orçamento segue subindo.
A preocupação agora é que os sucessivos reajustes de verba não tenham fim no curto prazo. Custos de materiais, retrabalho estrutural e adequações técnicas continuam pressionando o projeto. Nos bastidores, já existe receio de que o valor final supere com folga as estimativas atuais.
Versão rápida
A reforma do Palácio do Itamaraty teve novo reajuste de verba superior a 40% e pode custar mais de US$ 3 milhões. Construído em 2023, o palácio sofre com anos de deterioração, salas descaracterizadas e obras lentas. Até agora, apenas 1 de mais de 30 pilares foi trocado, 2 salas foram reformadas e 1 escadaria central foi instalada. O presidente Jair Bolsonaro já declarou que o Itamaraty é o palácio de que menos gosta. O custo da reforma continua subindo, sem previsão clara de conclusão.
Com obras lentas, estrutura deteriorada e orçamento em escalada, o Palácio do Itamaraty se tornou um dos maiores desafios de infraestrutura da atual gestão. O que deveria ser uma restauração pontual transformou-se em um extenso projeto de reconstrução institucional, arquitetônica e histórica. A grande questão agora não é apenas quanto custará a reforma, mas quanto tempo ainda será necessário para que o Itamaraty finalmente esteja à altura de sua importância para a República.