Teresópolis, Rio de Janeiro — 24 de abril de 2026
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPFRJ) apresentou, no dia 23 de abril de 2026, denúncia criminal contra Renato Casagrande, Luís Francis e Pedro Henrique Costa em decorrência dos acontecimentos registrados na unidade da Showbiz Pizza Place, em Ipatinga, Minas Gerais, na noite de 20 de abril.
A denúncia foi protocolada junto à Vara Criminal da Comarca de Teresópolis, após encaminhamento do Relatório Policial Investigativo nº 047/2026, elaborado pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. O processo foi transferido para o Rio de Janeiro em razão da atual ausência de magistrados em atividade na Justiça mineira, situação que, conforme a legislação vigente, permite o processamento dos casos estaduais em outra unidade federativa com funcionamento judicial regular.
De acordo com o relatório policial, os fatos ocorreram entre 20h30 e 22h30 dentro do restaurante familiar, onde foram registrados episódios considerados graves pelas autoridades de segurança pública. Entre as ocorrências descritas estão invasão estrutural com uso de veículo agrícola, perseguição armada no interior do estabelecimento, desordem generalizada, agressões verbais e posterior alteração do cenário investigativo.
Segundo a Polícia Militar, um indivíduo utilizando máscara facial representando o presidente da República conduziu um trator contra o portão externo e parte da estrutura do restaurante, provocando danos materiais e instaurando pânico entre clientes e funcionários.
Ainda conforme o documento, Renato Casagrande e Luís Francis foram apontados como suspeitos de participação em perseguição armada com uso de machados dentro do estabelecimento. O episódio teria exposto frequentadores a risco coletivo, obrigando uma das pessoas envolvidas a agir em legítima defesa diante da situação.
O relatório também descreve um cenário de descontrole operacional no restaurante, agravado por falhas técnicas e sistemas fora do ar, o que contribuiu para o aumento da tensão entre clientes e funcionários.
Pedro Henrique Costa foi citado na investigação por suposta prática de agressões verbais contra um funcionário do local, conforme depoimentos preliminares colhidos pelas autoridades.
A Polícia Militar informou ainda que a inspeção inicial encontrou sinais de arrombamento em portas externas e internas, acesso comprometido ao subsolo e danos estruturais. Durante as diligências, equipes policiais precisaram interromper temporariamente a investigação para atender uma ocorrência emergencial em prédio residencial próximo, onde moradores e equipes do SAMU ficaram presos em elevador.
Quando os agentes retornaram ao estabelecimento, por volta das 17h, foi constatada uma situação considerada atípica: ausência total de vestígios materiais, limpeza completa do ambiente e reorganização integral do espaço, circunstância interpretada como possível supressão deliberada de provas.
O Ministério Público sustenta que os denunciados teriam atuado em comunhão de desígnios, desencadeando ações com risco concreto à vida e à integridade física de diversas pessoas presentes no local. A promotoria apontou, em tese, crimes como tentativa de homicídio, dano qualificado, perigo para a vida ou saúde de terceiros, ameaça, fraude processual e perturbação da ordem pública.
Entre as medidas solicitadas pelo MPFRJ estão a prisão preventiva dos denunciados ou, alternativamente, restrições cautelares como proibição de contato entre os investigados, impedimento de acesso ao local dos fatos e comparecimento periódico em juízo. Também foram requeridas diligências complementares, incluindo quebra de sigilo telefônico e telemático para aprofundamento das investigações.
Entretanto, até o momento, nenhuma medida cautelar foi executada. A decisão ocorre em razão do período eleitoral em curso, já que os três denunciados disputam cargos públicos nas eleições atuais. Luís Francis concorre ao Senado Federal, Renato Casagrande disputa o governo do Espírito Santo e Pedro Henrique Costa é candidato ao governo do estado de São Paulo. A adoção imediata de medidas restritivas neste momento poderia ser interpretada como interferência política às vésperas do primeiro turno eleitoral.
Segundo fontes jurídicas ligadas ao processo, a análise das medidas solicitadas deverá avançar após o encerramento do período eleitoral, quando os investigados poderão ser formalmente julgados conforme o andamento regular da ação penal.
O caso segue em tramitação judicial e permanece em fase inicial, com possibilidade de novos desdobramentos conforme o avanço da instrução processual e a produção de novas provas.